MUDEI PARA ESSE ENDEREÇO

www.vivendodaspalavras.tumblr.com
Category: 0 comentários

Passado, pretérito.

Era tudo tão bonito. Muito bonito mesmo. Lembrei de tudo, sabe? Meu passado. Era tudo tão bonito, repito. Devo admitir, sinto falta. Parece apenas algo cada vez mais distante à medida que eu admiro. Comecei a fantasiar com tudo o que não era fantasia e que, de fato, eu havia vivenciado. O primeiro dia em uma colégio novo, melhores amigos. Pessoas que passaram pela minha vida e foram embora. Lembrei do primeiro amor, o primeiro "eu te amo". O mais sincero que pude dizer durante todos esses anos. Lembro-me de como costumava a ser bem mais fácil e de como tudo tende a ser bem mais difícil, daqui pra frente. Eu era apenas uma criança que , como qualquer outra, queria ser veterinária ou cantora. Uma criança que quando tinha medo pulava para a cama de sua mãe e sentia que abraçá-la mandaria todo o mal embora.
Observo meu passado. Meu pequeno livro, tendendo a ser cada vez maior, a ganhar mais páginas. O que será do futuro? O que serei? O que farei da vida? Não sei. Ainda sou uma criança por dentro. Ainda sinto que o colo da minha mãe faz diferença pra mim, mesmo que, talvez, não faça. Sou uma mistura de passado e presente que se tornará em futuro. Sou criança, sou crescida, sou jovem. Crio uma presente, mas ainda sinto falta do meu passado. Tudo tão distante. Tão surreal. Parece que se passou tanto tempo...
Category: 0 comentários

Essência

Quando se é pequeno todos dizem que os olhos são as portas da alma, mas nunca me veio a cabeça checar se isso era realmente a verdade - até ultimamente , claro. Eu descobri que não é sempre que essas portas estão abertas. Digo, de verdade. Por mais intocável que seja uma alma, você ainda pode senti-la. Eu senti a alma dele, sua essência. E sabe, os olhos dele não me possibilitaram tocar sua alma, e sim ver o que eu estava sentindo. O olhar é apenas uma janela. Sim, uma janela. Como aquelas que ,ao sentir a brisa, você as abre e vê como acontece, de onde vem. Foi o que aconteceu. Eu senti o que ele sentia. Toda aquela felicidade que transbordava, fazendo seus olhos mostrar o que estava acontecendo dentro do seu peito. Eu o vi. E como aconteceu comigo, ocorreu com ele. Ele me viu. Observou cada parte do meu ser, viu toda a minha essência, toda a paixão que eu tinha pelas coisas, os defeitos e a insegurança. E diante de toda aquela conexão que havia entre a gente, ele me disse: "Você me faz feliz". Eu queria soltar sorrisos e olhares admirados, bem como segurar sua mão e fugir com ele, mas não o fiz. Tudo o que fiz foi ficar ali, sorrindo. Eu sorri porque tive que conter toda a explosão que havia dentro de mim. "Você é minha felicidade", falei. E tudo o que ele fez foi sorrir também. Não fugimos e nem enlouquecemos como fazem os casais de livros de romance. Ficamos ali, sentados e abraçados, assistindo duas almas que de tão juntas e conectadas, passavam a ser apenas uma.
Category: 0 comentários

Exagerado

Sempre pensei que no final de tudo eu estivesse sozinha, mas eu percebi que isso nunca chegou a acontecer. Nunca aconteceu porque eu te conheci. Estávamos e estamos conectados desde o dia em que nos conhecemos e somos irmãos, amantes ou qualquer outra coisa que nossos corações nos permitirem ser. Sempre estivemos juntos e eu não havia percebido. Só hoje, aqui deitada nessa cama vazia, que percebi que mesmo com a falta da sua presença física, você sempre esteve aqui. Hoje você se tornou uma parte de mim e passou a cumprir a sua promessa de que eu nunca estaria sozinha. Cheguei a procurar em outras pessoas todo o amor que senti por você, mas nenhuma delas chegava a ser como aconteceu a anos atrás. Nenhuma delas era você. Eu sabia disso e cheguei a aceitar que era você, tem sido você e sempre será você a minha "alma gêmea" ou seja lá o que dizem por aí. Sempre vai ser você que vai me ouvir e dar conselhos. Sempre vai ser você que vai me dar o carinho que preciso. Eu já aceitei que hoje, somos um só, perdidos nessa capacidade incrível que temos em sentir tudo excessivamente, exageradamente e de ver de uma forma que os outros não veem. Seremos assim, sempre. Cumprimos nossas promessas, estaremos sempre aqui quando o outro precisar ou até mesmo quando não precise. Sei que esperei por você tanto tempo e eu esperaria muito mais se fosse preciso. Tudo o que eu preciso é ter você ao meu lado, seja como irmão, como amigo, como amante, seja la o que for, apenas preciso de você pra cuidar de mim e para que eu cuide de você quando precisar. Tenho vivido todos esses anos por sua causa e nunca me deixei morrer ou envelhecer precocemente porque eu sabia que, de qualquer forma, o destino nos levaria de volta um ao outro. Meu bem, foi como eu disse, e sempre irá ser: é você, tem sido você e sempre será você o dono da minha alma. O dono do meu ser.
Category: 0 comentários

Divã

Ela entrou com uma expressão séria, os músculos faciais tensos e deitou-se no Divã.
- Olá senhorita, o que me contas hoje? - falei.
- Ai ai, senhor X, o de sempre...
- O de sempre? Não me recordo de haver algo assim - soltei um risinho.
- Ah, tá bem! Não tem mesmo... bem, na verdade, é algo diferente.
- Diferente, Irene? Hm, conte-me...

Ela me olhou daquela forma estranha e com aquele olhar de deboche que fazia toda vez que eu falava como psicólogo. Não poderia fazer nada, era minha profissão. Eu deveria ser assim, certo?

- Você é meu amigo , não precisa falar desse jeito.
- É o meu trabalho.
- "É o meu trabalho" - repetiu, meio triste, meio cabisbaixa.
- Bem, o que houve?
- Sabe, to cansada disso tudo... nunca dá certo.
- Ih, lá vem de novo.
- Que foi? Vai bem me dizer que eu falei isso no meu ultimo relacionamento?
- ...
- Ai, droga.

Silêncio. Ela sentou.

- Estou fechada pra reformas...
- Você, Irene?
- Meu coração.
- Mas tem espaço de sobra aí, não precisa de reforma.
- Argh, não tem. Já tá tudo destruído pelo ultimo filho da p%&$ que passou por aqui...
- Olha o palavrão, garota!
- Desculpe.

Silêncio. Ela olhou para a janela e deu um sorriso.

- Você é meio bipolar, sabia? - falei, rindo.
- Me deixa...
- Deixa-me.
- Vai a merda - ela riu.
- Ai ai, mal criada você né...
- São as amizades que eu arranjo, tá assim sabe.
- Devia arranjar um novo amor, isso conserta esse coração que tá fazendo você ser grossa assim - olhei nos seus olhos.
- Novos amores só são novos durante alguns dias, depois voltam sempre a ser velhos conhecidos... não acha? Cansei deles, X, cansei. 'Tô' machucada, sabe?

Olhei para ela, que deixou uma lágrima escapar dos olhos, assim, descendo pelas suas bochechas, até cair no chão.

- Não fica assim. Só não eram os caras certos...
- Cansei de tantos caras errados. Quando é que a  Po#@@ do cara certo vai aparecer?
- Olha a boca.
- Desculpe.

Silêncio.

- Olha, eles aparecem. Você só tem que parar de procurar e viver, sabe? Você é linda... Não precisa deles.
- Tenho estado tão carente...
- Você não precisa deles, repito.
- Será?
- Precisa?
- ...
- Ein?
- Não preciso.
- Então vai ter um tempo pra ti, guria. Tu precisa disso.
- Verdade...
- E olha só, não deixa de vir aqui... tava com saudade!
- Haha, também tava, X, também tava...

Silêncio. Abraços.

- Até mais.

Ela sorriu. A porta se fechou.

- Ai ai, minha pequena... eu amo você. - sussurrei.
Category: 0 comentários

Lua, ela, ele e o relacionamento.

A lua hoje estava imersa naquele céu negro e sem estrelas. Sozinha, pela metade. A lua era eu. Sentia-me como ela. Sem minha metade, sozinha, melancólica. Onde eu estava naquele momento? Olhei em volta. Escuro. Realmente, eu estava deslocada. Tinha tentando me isolar um pouco, talvez a escuridão me ajudasse a pensar em algo. Talvez fizesse minha cabeça funcionar, afinal. Acabei que estava lá, no escuro e completamente sozinha. Desde que ele tinha se tornado um estranho para mim, minha capacidade de escrever se tornou algo quase inatingível. É complicado quando se pensa em tanta coisa e não se consegue passar tudo para o seu velho pedaço de papel. Não o sinto mais perto de mim, sua presença me parecia mais um fato passado do qual eu me lembrasse vagamente.
Olhei de novo para aquela lua, sozinha. Estávamos sozinhas, eu e a lua. Queria que ela falasse, que me disse tudo o que eu deveria fazer, mas tudo era tão difícil.
- Por que eu não consigo escrever, droga! - chutei o caderno.
Eu estava cansada daquelas preocupações e dificuldades em tudo que eu e ele fazíamos. Parecia que havia sempre algo que nos impedisse de ficarmos juntos, mas dessa vez, era ele que estava diferente e eu sabia disso. Eu sabia que ele estava diferente, estranho, e eu simplesmente não tinha mais forças para lutar por algo que me preocupava, me deixava insegura. Eu tinha medo. Talvez fosse isso mesmo que eu sentisse: medo. Eu estava no escuro, eu e a lua, sozinhas e com medo. Ela estava lá, no céu vazio, acostumada com tudo a sua volta. Eu não. Nos mantínhamos caladas, nos comunicando em silêncio. Não sabia se ficar sozinha ali era realmente o que eu queria, mas talvez fosse o que eu precisava. Precisava do escuro, da melancolia, do céu negro. Precisava estar acostumada, assim como aquela lua.
- Quero ser você, lua... -sussurrei.
Eu não era e nunca seria uma lua, flutuando no céu. Às vezes acompanhada de estrelas, outras não. Deitei no chão e senti a grama roçar meu pescoço. "Sou humana..." pensei. Sempre seria humana. Quem sabe um dia eu levantasse dali e escrevesse um texto. Quem sabe um dia eu escrevesse sobre a lua solitária. Ou quem sabe eu continuasse ali, até o dia em que tudo resolvesse dar certo.
Category: 0 comentários

Um conselho (história levemente modificada)

Pode não ser um texto sobre amor, ou um coração partido ou seja lá o que for. Pode até ser algo monótono. Procurei durante toda a semana escrever mais um parágrafo do meu livro, escrito naquele meu caderno surrado, mas acabei por perceber que não era sobre amor que eu queria escrever, nem sobre uma história de coração partido. Eu realmente senti uma tendência a escrever algo mais pessoal, ou até mesmo mais abrangente.
Você deve estar se perguntando se eu realmente pensei em algo espontaneamente, a partir do momento em que decidi escrever sobre algo... não pensei. O que me trouxe até aqui foi uma conversa cotidiana sobre uma mudança de rotina. Uma conversa boba jogada fora com um amigo, ele me contou que estava estressado por causa de certos motivos a parte, mas algo mudou o dia dele: Uma velhinha que tinha um problema na perna e andava de cadeira-de-rodas pegou o mesmo ônibus que ele. A velhinha, que estava tão alegre por ter ganhado uma pequena ajuda ( um saco de pão, de arroz, não me recordo agora) recebeu ajuda do motorista, que passara o dia em um trânsito estressante. O motorista, com um sorriso no rosto, ajudou a velhinha feliz e ainda agradeceu ao meu amigo no final.
Sei que pode parecer meio bobo e meio "livro de autoajuda", mas é sobre isso que eu quis escrever: felicidade, gentileza e pequenas coisas. No final do dia, a gente tem tanta coisa ruim acumulada na cabeça e nem percebe que é tudo tão menos importante e preocupante em relação aos problemas de outras pessoas. O mundo e as pessoas às vezes acabam se tornando egocêntricas e entristecidas sem saber. Aquela velhinha passou por tanta dificuldade e mesmo assim, apenas com um saco, se sentiu feliz com o que tinha. O motorista, mesmo com um dia ruim (talvez), não deixou de ser gentil e sorrir no final de dia.
E você? Tem ido em busca de sua felicidade sem entristecer a si mesmo ou aos outros por conta de um dia estressante? Pensa bem, você já tem tanto motivo pra sorrir e nem parou pra pensar nisso. Situações e desafios a gente supera, ao contrário de uma vida amarga e sem felicidade. Abre um sorriso, ri, que essa etapa difícil passa, cedo ou tarde.
Category: 0 comentários